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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

[ Sempre ]


Cabelos ao vento em um carro de amigos. Não tem problema, não com o que se preocupar. Todos brincando, rindo e se divertindo, tirando piadas uns dos outros e a paisagem a nos revelar curvas e botecos que nunca existiram e não sabemos até onde irão...

O som ligado competia com o zunido no som. Mas não importava. A vida estava ali, para ser vivida, eu estava aproveitando o vento que corria e não sabia que estava ficando para trás. Maneira de dizer. Para trás ficava mais uma cidade, mais um grupo de amigos, alguns amores, várias dívidas... Quem sabe, levaria algo daquilo para mim, ou o que foi que eu deixei que ainda não notei que perdi?

Sofremos um bocado, não nego, que nunca sofreu. Se eu não tivesse sentido aquilo, se não me importasse com as conseqüências, teria eu ficado entre a cruz e a espada? Talvez eu tenha ficado, ou a espada ou a cruz arrancaram um pedaço de mim.

- Passa a direção, cara. – disse ao meu amigo, o motorista da rodada.

- Hã? Mas já? Você mal descansou de ontem e quer dirigir?

- E por que não?

- Olha, eu não sei se é uma boa. – começou a filosofar o meu outro amigo, sendo ao lado do primeiro – Você ainda não está bem, está filosofando demais..

- Eu? – caímos na gargalhada – Não creio!

- Essa cara de cachorro que perdeu o dono não nos engana...

- Tudo bem que eu não sou essas coisas... Mas cachorro pidão, não!

Rimos novamente. Ele ainda relutou um pouco para me entregar a direção, mas desistiu logo. Ao pararmos numa bodega na beira da estrada, resolveu tomar uma cerveja e me passou a direção.

Dirigi por alguns quilômetros ouvindo as peripécias que fizemos noite passada, descobrindo como a noite podia ser surpreendente, quantos foram os que vieram e se foram. No final, adormeceram com o balançar do automóvel. Pude, então, ligar o som e ouvir em paz alguma boa canção.

Algumas propagandas na rádio, um forró na outra estação, chiado na maioria do rádio... Até que o rádio resolveu deixar os Titãs tocar para mim.

"Eu sei que é pra sempre, enquanto durar... Só peço somente...”

- Que não me deixe sonhar...



Lucas Macedo Lopes

5 de outubro de 2009.


~/Ł/~

2 comentários:

Ana Valente disse...

Meu querido diplomata seno de 30,

sinto tanta falta de compartilhar contigo todas as palavras que me vinham a cabeça. Venho aqui em uma noite na qual eu aqui não deveria estar e percebo o quanto as coisas são capazes de permanecer. Ainda hoje quero ler-te e lembrar daquele jeito que é só teu de escrever e sentir saudade de traduzir o imaginável, tudo, com você. Saudade também dos sonhos, tão distantes, mas cada vez mais próximos de nosso alcance, que ficaram nas divagações divididas.
Amigo, sinto tua falta.

Um beijo,

Ana.

Luana Silva disse...

se você não sonha, não realiza.
O que me consola nessa vida cheia de males à nos rodear, é que eu ainda posso sonhar.

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós - Jean-Paul Sartre