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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

[Menina]



Menina. Você, sempre tão curiosa, amedrontrada de quando em vez pela própria ignorância do mundo. Sacode suas mãos no ar, tenta pegar algo no chão, se agacha. Consegue ver além dos seus pés. Uma escada sobre o banco, um pulo de trampolim. Água por todos os lados sem querer se afogar. Uma chuva passa tornando sua existência mais molhada. Que vontade mais louca de querer conhecer o que há. Estará só me enganando?

Menina, olhe, olhe. Nesta algazarra doida só na espreita de um deslize meu. Curiosa, você. Tão meiga falando assim. Qual é a cor do seu cabelo mesmo? Pensei que fosse castanho, mas vejo que suas madeixas são ruivas. Os olhas? Quem saberá, eu nunca soube mesmo. Nunca param sobre o mesmo ponto, prontos para caçar algo mais interessante a sua volta, a espreita de sua nova presa. Ah, sim, bonito sim, não é? Essa mania de pegar o que não lhe pertence para sair do seu mundinho. Vamos, devolva o que não é seu.

Não sabia dos seus amigos. Não desses. Quem são? Pareço o teu pai falando assim – ou seu namorado enciumado. Não me engane com esse sorriso. Tenho muito com o que me preocupar e você vem com essas manias. Eu quero soluções, e não soluços. Problemas, estou farto deles, e quem na está? Dance, não ligue para o que os outros dizem, só faça com que meus “nãos” não se repitam com tanta freqüência. Ela novamente, chuva. Para que temê-la se é ela que te faz crescer?

Não bebi nada ainda. Ainda estou aqui, mas por quanto tempo? Tempo esse que se faz presente em cada nova ruga tua que aparecer. Aprenda a lidar com ele do que com o arrependimento de uma vida de culto a beleza. Tudo se esvai um dia, até a chuva que ti molhe. Só não se desfaça em lágrimas como os céus fazem. Ainda quero ter no meu colo, você, como nos braços deles.

Mulher.


Lucas Macedo Lopes

22 de janeiro de 2009

~/Ł/~

terça-feira, 8 de janeiro de 2008



[Ouchi - Contracrônicas de um Cearense abismado com um Paraense]


Dia fatídico aquele. Não foi fácil se levantar naquela manhã de sábado. Mal o sol despontava no horizonte, o meu despertador tocara. Ergui-me da minha rede e fui desligá-lo. Retornei para o bom balanço da minha antiga companheira de sonhos, que por tantas ocasiões me fez esclarecer idéias e criar novas indagações de uma vida tão vazia em respostas.

Quem dera que não tivesse nenhum compromisso naquela manhã. Entretanto, a minha agenda alertava-me sobre outra coisa: Simulado UFC. Esperei o sol adentrar meu quarto e aquece-lo com os primeiros raios do novo dia. No meu som tocava Biquíni Cavadão – ´´Escuta Aqui`` e ´´Em Algum Lugar no Tempo`` - e como estava atordoado dos últimos acontecimentos que permeiam minha vida, abri meus olhos, na tentativa de não cair na tentação de transformar o meu novo dia de experiências, em mais uma noite de sonhos.

Levantei-me. Horas? 6:30 da manhã, pretendendo ainda ler minhas anotações para a prova que se aproximava. Quem disse que eu o fiz? Entrei pelas lacunas da minha mente, permitindo que a música preenchesse todos os espaços que ainda estavam vagos, até que o gongo soasse suas badaladas que condenaram (ou melhor, salvaram) muitos.

Concentração durante a avaliação? Apenas a música e sua inspiração me davam forças para mover minha mão, e com a mesma, realizar o fatídico trabalho de discursar números e letras por entre meia centena de questões.

Os velhos amigos, foi bom revê-los. Companheiros de longas e novas datas, todos saindo de suas respectivas salas em horários diferentes. Meio-dia e as luzes são apagadas, e muitos saem aliviados ou preocupados com o resultado que está por vir.

Mas me surpreendi mais tarde, com um deles. Utilizando-me de um dos modos mais usais da era contemporânea, me deparo com um “link” que me deixou surpreso. Não relacionado com a pressa e a não-apreciação do simples, mas algo de tom elevado.

Não que fosse música, como as que dominam meus pensamentos, mas textos e crônicas escritas por um paraense. Colega de colégio? Amigos, por assim dizer. Textos escritos por um amador? Outrora talvez, mas em um lugar tão inóspito, revelou-se diante meus olhos, um escritor nato, que invejo saudavelmente, sem brigas nem intrigas. Um cronista a quem devo me espelhar, se almejo evoluir como escritor. Utilizando-me da licença poética e fugindo do protocolo literário, Apenas gostaria de deixar minhas últimas palavras de admiração: ´´Tsss... Just a little bife!``


[Escrito em 20/10/2007]


por Lucas Arts



~/Ł/~

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008



[Mr.Blue]

Leve, pode levar. Claro, eu sei que mesmo não querendo, você irá levar consigo o que eu deixar para trás. Não se preocupe, eu te entendo. Desde sempre você é assim, sempre que eu venho aqui, você teima em apagar as marcas que eu deixo por aqui. Não se envergonhe e queira ficar passivo só por eu estar falando assim. Eu vejo que você não está bravo hoje. Menos mal, assim posso caminhar em paz.

Mas por que insiste em fazer desaparecer as minhas pegadas? Elas não são lá essas coisas, mas esse é o trabalho do tempo, e não o seu. A não ser pelas palavras que eu escrevo, eu sou apenas uma mínima parte do efêmero que nos circunda. Mas eu acho que o seu trabalho é esse mesmo. Apagar o que todos fazemos.

Sempre te admirei, até porque, não conheço algo que possa se comparar a sua grandeza. Até tenha algo que possa ser usado como “medição de importância”, mas nenhum dos outros tem tanta importância como você. Podem dizer o que quiserem: quem nunca o usou como conselheiro, não sabem a paz que você trás após uma caminhada ao seu lado.

Muitos nem ligam para a sua existência, vão até você por ser refrescante – até porque isso é uma verdade inquestionável – em busca de fortes emoções, mas quem nunca proferiu o que sentia para ti, não sabe como é recompensador chegar a uma conclusão apaziguante. Mesmo que o assunto por si só não seja relevante, quando falado ao teu lado – caminhando e sentido o vento – a resposta pode ser ouvida ao seu redor.

Claro que quando está sendo compartilhado por muitos, a resposta demora mais, mas não significa que ela não venha. Além do que, o sol sempre me acompanhou nessas horas – a não ser em dias nublados, mas nem por isso, menos importantes. O sol esquentava, enquanto você refrescava com a ajuda do vento.

Mas quando me pego olhando para ti, me perdendo na sua imensidão, as vontades que tenho é de levar as minhas feridas e cicatrizes o mais longe de mim mesmo. Talvez um nômade, ou me transformar em um velho lobo, mas qual é a graça se vejo que meus pés foram feitos para em terra firme se fincarem?

Lutar contra a minha natureza não é difícil, apenas demorada. Não é tanto, que mesmo sem asas, podemos ir para além do que conhecemos? Mas quem não conhece os prazeres da sua imensidão azul, não sabe qual é o gosto da maresia, das suas ondas nos perseguindo – com algumas até traiçoeiras, mas sem elas, não aprenderíamos a ter cuidado e redobrar a nossa atenção.

Sentar a sua beira e te observar se apossando da terra que me envolve é um tanto quanto fascinante. Fera indomável, mas dócil para aqueles que sabem te respeitar e que se deixam levar pela sua força misteriosa. Mar não é apenas água salgada que traga tudo ao seu redor: Mar é o mais antigo pensador que há, e por que não, um dos mais velhos habitantes que possamos conviver? Ele nos traz sabedoria, pois ele já esteve em todos os redutos que possamos imaginar ao nosso redor.

E está à nossa frente, seguindo o seu curso, de vir tocar os nossos pés e cobrir as nossas pegadas, pois o que é efêmero, transformar-se-á em pó algum dia.


por Lucas Arts



~/Ł/~


terça-feira, 18 de dezembro de 2007


[9 da Manhã?]

Por que é tão difícil abrir meus olhos? Sono talvez, mas pouco provável. Creio que dormi o suficiente para estar descansado. O que seria então?

Horas? Deixe-me pensar. Pela claridade deve ser 9 horas da manhã. Não, engano-me. 11:30 para ser mais preciso. Mantê-los abertos é que é o problema. Domingo! Logo vi: Por isso estou com tanta dificuldade em aceitar acordar. Mas isso não é motivo o suficiente. Deve ser as nuvens. Sim, hoje o céu está nublado, mas nem sempre significa chuva, o que é uma pena.

Em uma manhã como essa, a vontade de continuar deitado em minha rede é imensa. Ainda mais, com um vento agradável como esse que invade o meu quarto, não deixa espaço para que a coragem venha e me levante.

Levantar para que? É apenas um domingo, nada de preocupações para o resto do dia. Descansar, é o que todos merecem: Um bom cochilo é o suficiente. Para que dormir mais, acordando 11:30 da manhã! Uma praia até que caia bem, mas praia em um dia como esse? Com a coragem que me encontro, acho que nem vale a pena. Nublado, nada de sol escaldante em pleno horário de pico. É até agradável, mas quem irá?

Seguir o balanço dela é o que me resta. Nenhuma chamada não atendida no telefone. Apenas o vento a passar e me envolver, tornar agradável o que já estava bom. Ler? Quem pensaria em uma hora como essa ler! Mal abria os olhos há pouco tempo. A avenida encontrava-se estranhamente calma. Poucas almas deviam estar se atrevendo a andar por perto.

Conformo-me no estado de sonolência que me encontro. Mas ficar me balançando em uma rede não irá me levar a lugar nenhum, ou estou enganado? O melhor é me levantar - isso é o que devo fazer - espantar a preguiça e me preparar para o que virá, afinal, ninguém sabe o que acontecerá no dia de amanhã.


por Lucas Arts





~/Ł/~


sábado, 15 de dezembro de 2007




[“Ver e não te querer, é improvável, é impossível”].

Um olhar. O que além disso é necessário para vermos a alma do outro? Sim, pois o que dizem, não é que os olhos são as janelas da alma? Algo tão abstrato e ao mesmo tempo tão belo, sublime, por assim dizer. Mesmo com todas as qualidades e defeitos de outrem, ficamos intrigados com o que vemos.

Tudo bem ser uma pessoa, mas cada indivíduo é um mundo de proporções infinitas. O que será que os outros pensam, seu desejos, anseios e medos? Quem sabe, até os seus objetivos e suas derrotas? Mas vamos atentar ao mais obscuro, por assim dizer: O que sente cada alguém que passa ao seu lado, todos os dias? Intrigante ver o que se passa com cada um. Cada um com seus causos e rotinas fatigantes, que sempre tendem mudar a cada nascer do sol.

O (por assim dizer) supra sumo de ver a alma de alguém, é quando a mesma tem a capacidade de deixar-te intrigado. Um olhar que tem o poder de cativar, de querer saber o que há além das suas belíssimas cores. Alguém que tem a capacidade de alterar o seu ritmo cardíaco e respiratório, fazendo não só com que a sua mente se sinta atraído pelo que está vendo, mas deixando os seus sentimentos em um estado de euforia, de forma que eles não conseguem se conter dentro de um importante músculo, o que o torna – um tanto quanto – arrítmico.

Os braços, por sua vez, é como podemos sentir o calor do outro (ou até mesmo esquenta-lo). Em reencontros e despedidas, o abraço é usado como símbolo da fraternidade. A vontade do outro de demonstrar o que sente, sem o traduzir com palavras. O que muitas vezes é ocultado por um sorriso ou uma lágrima se torna evidente na hora em que os braços circundam um alguém em questão.

Se os olhos são as janelas da alma, os lábios nos traduzem o que há de melhor no interior do outro. Quando ambos se tocam, são quão próximas às almas se dizem “completa” – no singular mesmo. O contato além do físico se torna algo extraordinário para pessoas que querem sentir o outro. A respiração ofegante, as rápidas trocas de olhares e sorrisos e, por várias vezes, as almas se sentem unidas por uma força inexplicável. O tempo que se passa nesse momento, é tão infinito quanto breve, é como se o relógio parasse e adiantasse simultaneamente. É algo que as almas não esquecem o que ali foi experimentado: Os sentimentos mais profundos e arraigados do outro.

Se para Bentinho, os olhos da Capitolina (ou popularmente conhecida como Capitu) fossem “olhos de ressaca”, é porque fora um homem que foi amargurando-se com o passar do tempo. O sentimento, que antes era belo, tornou-se ciúmes e gerador de intrigas internas do personagem. Ele esqueceu (ou melhor, não percebeu) que a “ressaca” foi por ele criada. O que Capitu possuía eram olhos que o cativavam, como o mar, e como tal, o velho lobo-do-mar (Bentinho) resolveu subestimar e duvidar, o que o trouxe prejuízos.

Fora da eterna duvida machadiana que paira sobre Dom Casmurro, a certeza de sempre poder apreciar a alma de quem realmente se gosta, é animador. Não pelo o que se sabe, mas pelas sensações que borbulham em seu interior, se transformando em uma salada que pode ser admirada de várias maneiras. Ver e sentir os mais profundos anseios e sensações de quem se quer bem, é uma das coisas mais enlevantes da vida.





por
Lucas Arts


[Agradecimentos a Marlo Renan, por ter me ajudado a enriquecer o meu vocabulário]



~/Ł/~


quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

[Documento sem Título]

Fortaleza, quinta-feira, 13 de dezembro de 2007.

O Começo sempre é a pior parte.

Como iniciar a arte da escrita se as minhas histórias não querem ter um começo? Não que as idéias estejam faltando, mas é estranho ver o nascimento de algo. Um ser vivo, uma pessoa, uma idéia, um rabisco, tudo começa de uma folha em branco, com uma caneta em mãos e uma história de para desenrolar-se.

Encontros, planos, desfechos, desastres, milagres, desencontros. Elementos que tornam uma história atrativa para quem a lê, mas nem sempre fácil para quem a escreve. Falar é fácil, escrever surpreende tanto o leitor quanto o próprio autor que se maravilha com o que escreve – e muitas vezes despreza o que já escreveu, amassa a folha e refaz de uma maneira que não o faz enojar-se do que já está escrito.

Antes do meu Ensino Médio, costumava escrever. Não por estar ´´cansado`` que parei, mas fui forçado pelo sistema a me desligar do que gostava, para sacrificar-me em nome do meu futuro. Futuro? É o que todos os grandes colégios gostam de chamar, pois é dele que sugam seu sustento, usando o suor de bodes expiatórios: Vestibular. Creio que esse tema nos levará a textos mais apropriados para discutirmos o tema (e provavelmente inflamados); voltemos, então, para a minha simplória vida de escritor.

Digamos que a minha vida é um tanto quanto recheada de amores platônicos (O que nos renderá alguns textos sobre o tema) e devido a uma série de pessoas, textos e fatos – que me influenciaram a seguir esse caminho – costumava escrever quando eu estudava em um colégio de pequeno porte. O meu desejo pelo saber, cultura e música, nunca me abandonou. A humanidade e suas relações sempre me intrigaram, o que me rendeu boas teorias (que alguns amigos meus conhecem) para a compreensão do mundo a minha volta.

Religião? Digamos que acredito em Deus, mas não confio muito nas instituições que se proliferam mundo a fora. Mesmo sendo católico de batismo, tenho minhas dúvidas quanto a instituição oficial (e das que surgiram depois dela). Não que eu esteja aqui para pregar, dizer que Fulano é melhor que Beltrano, muito pelo contrário. Sou um cara com 16 anos que ainda tem muito a aprender, pessoas a conhecer, dúvidas a se solucionarem e novas surgirem no lugar. Entretanto, não esqueço das outras religiões que existem (Islamismo, Budismo, Xintoísmo, entre outras). O que posso dizer-lhe por hora, caro leitor, que ainda iremos mexer e remexer em temas que fatalmente envolveram a questão da religião. O que lhe digo de antemão é que não estou aqui para levar ninguém contra ninguém, e quaisquer tentativas de deturpar o que aqui escrevo, são apenas atos de pessoas que irão se destruir com as próprias mentiras e causas infundadas.

Dissertações, contos, crônicas, causos do cotidiano... Irei variar o estilo dos meus escritos. Gosto de pensar que serão textos saudáveis, que levarão a reflexão do que nos circunda; Criar novas dúvidas e solucionar antigas questões. Claro, haverá histórias para descontração, relaxamento e alívio da mente. Para cada leitor que ler os pensamentos que aqui irei transformar em palavras, uma interpretação nova surgirá, e conseqüentemente, um novo debate aparecerá e iremos todos evoluir intelectualmente (espero que em termos de maturidade, ocorra o mesmo).

Agradeço pela paciência e pelo tempo que tem gasto, lendo o que acabo de escrever. Surpreendo-me que no meio de tantos lugares, com textos variados e autores anônimos, que passam horas a tecer e findar escritos, você tenha arranjado um espaço na sua vida para apreciar o que escrevo.

Meus sinceros votos de que retorne para apreciar o que aqui escrevo (e criticar, pois assim, todos evoluímos). Um cordial Até logo!

Lucas Macedo Lopes

Engraçado, esse texto inaugural parece um Editorial...

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós - Jean-Paul Sartre