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segunda-feira, 27 de julho de 2009

[ Pesado, Minto, é? ]

Não sei por que

Ainda me surpreendo:

Do nada que não é

Do tudo que já foi.


Se sempre sei

Que nunca saberei,

Como sempre fico eu

A mercê do que viverei?


Como pode um peixe morto

Ser cozido fora da água quente?

Como pode alguém viver

Sem outro alguém a lhe aquecer?


Como pode ser,

Tão pesado de se carregar,

Um coração vazio

De uma jovem mente,

Que mente sempre

O que minto que sinto?


Lucas Macedo Lopes

27 de julho de 2009

~/Ł/~

[ Um Dia ]


Um dia encontrei comigo,

Quatro anos mais velho,

Olhei como quem indaga o futuro,

Vi quem via indiferente o passado.


Supliquei nos meus olhos jovens

A ponderação para meus atos de velho,

Não sei se eu dei me importei

Escutar aquilo quatro anos mais novo.


Achei graça do que o tempo fez comigo

Do que ele fez com todos que ali estavam

Especialmente do meu português

Tão simples toda vez que me escutavam.


Um dia olhei para mim,

Quatro anos mais novo,

Não entendia o que falava,

Resolvi apagá-lo da frente de todos

E guardá-lo em mim próprio.


Lucas Macedo Lopes

27 de julho de 2009

~/Ł/~

sábado, 18 de julho de 2009

[ Choro de Mulher ]

Toque uma música,

Pode ser o que vier

Melhor do que o chorinho

É o corpo inteiro de mulher!


Não ligue para um tolo!

Dedilhe esse cavaco,

Deixe a flauta continuar

A beber ao pé da mesa.


Nesse doce som

Entre fás e claves de sol,

Deixe a música me animar,

Dessa solidão, me tirar!


Eu quero a companhia da gaita,

Do preso, do vagabundo,

Caminhar por ai sem rumo,

Encontrar a paz na minha gaiata.


Toque um chorinho

Toque assim, bem baixinho

Para que ela não acorde,

Para que ela não chore.


Só toque direitinho

Para que nada saia errado,

Para que ela não fuja de mim,

Para que eu não fique melado.



Lucas Macedo Lopes

18 de julho de 2009

(Imagem: Chorinho, de Cândido Portinari)

~/Ł/~

quarta-feira, 1 de julho de 2009

[ Livro das Perguntas ]


Menina olhe pela janela

E veja o que eu vejo,

Será que tudo não passa,

Não passa de um vão desejo?


Lucas Macedo Lopes

30 de junho de 2009

~/Ł/~

quarta-feira, 17 de junho de 2009

[ Sede ]


Indagarão para mim,
Quando me virem assim,
Querendo saber o que houve
Para eu estar bêbado assim.

Vão me olhar com ar soberano,
Muitos me achando um estranho,
Estar assim, ouvido colado à mesa
Cochilando o sono dos justos.

Quem será que irá ignorar?
Tentando enxergar o que não há,
De punhos fechados e braços cruzados,
Vendo a vida assim passar.

Abro meu olhar para todos
Vendo se há algum caminho
Mas não é preciso procurar muito
Já que, de tal sorte, o azar me pegou.


Lucas Macedo Lopes
16 de junho de 2009
~/Ł/~

domingo, 24 de maio de 2009

[ (F) ]

Pouco tempo?

Antes isso,

Do que tempo

Algum.

 

De banho tomado?

Não me importa

Se o suor

É de alegria.

 

Cabelo ao vento?

Se de liso e franja ele é,

Banhos de chuva,

Se tomá-los, boto fé.

 

Saudades de você?

Sim, mas do que adianta ter,

Se não estou a lhe ver,

Sem o seu telefone

[Queira me atender?


Lucas Macedo Lopes

24 de maio de 2009

 

~/Ł/~

sábado, 21 de março de 2009

[ Amorístico ]



A arte imita a vida,
A vida imita a arte
Quem começou
Que(m) sabe (?).

Se arte é a vida,
Se viver é o amar,
E humor é a arte,
O Amar é o humor.

Não é humorístico dizer
Que a graça aparece sempre;
Quem não perde nunca a piada,
Perde mais do que uma amizade.

Não vamos chorar sempre
Nem se enxugar salgadamente,
Deixemos os palhaços exilados
A praticar a arte de gracejar.

Para nós, apenas o fundamental:
Melhor do que arrancar risos,
Prefiro conquistar os suspiros
Mesmo que as flores sejam
[de carne e osso.


Lucas Macedo Lopes
18 de março de 2009

~/Ł/~

quarta-feira, 16 de julho de 2008

[Brisa do Mar]




Vento que trouxe

Você por aqui,

Volte para mim,

Minha querida Serafim


Vento que vai

Voando por ai,

Venha trajada de carmim,

Minha querida Serafim


Vento que levou

Velas do meu coração para ti,

Velejo pelo azul dos teus olhos,

Minha querida Serafim


Vento que passou

E nunca mais voltou,

Deixe-me novamente

Sentir teu jasmim,

Minha querida Serafim


por Lucas Arts




~/Ł/~

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

[Verbo conjugado, Verbo mudado]



Verbo

Verbalmente

erbalmente

balmente

almente

-Aumentar, almejar?

Mente.

Verbalizo

Ver balizo

Verba, liso

isso? Isso! Isso?!

-Ver batida?

Ida.


Verbo

Verbo-nominal

Verbo-profissional

Verbo-verbo

-Verver-bobo?

Ad - (Pro)vérbio


Verbalizando

Verbalizado

Verbalizedo

Verbalizido

Vebalizodo

Verbali

-.

mudo.



por Lucas Arts



~/Ł/~

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

[NoNa]





No tempo que se arrasta
No sorriso que desaparece
Na flor que desabrocha
Na noite em que escurece

Na vida que passa
No relógio que escorrega
No som que é tocado
No vôo do passáro

No sol que nasce
No quadro ao lado
Na lembraça perdida

Sem nexo vou pensando
Sem ser lido vou escrevendo
Sem viver vou amando...

[Escrito em 22/06/06]


por Lucas Arts



~/Ł/~

terça-feira, 8 de janeiro de 2008



[Toc,Toc... Levante-se!]

Fantasias de um mundo eletrônico,
Ilusões da mente
Carregando por entre as mãos
Um delicado pingente

Som falso,
Som artificial,
Que agudo será esse
Que tanto pertuba minha mente??

Mente pequena
Janela aberta
Para onde olha no céu escuro??

Tardes de lembranças
Passados recentes
E uma vida toda pela frente.

[Escrito em 19/05/06]


por Lucas Arts



~/Ł/~

domingo, 30 de dezembro de 2007



[Escuridão para quê?]


Em uma tarde acolhedora,

Em uma fresta na parede,

A boca dia com sede

Do que puro fora outrora.


Os raios deixaram de aquecer

O palpitar ficou pesado,

Começo a ficar abismado

E assim irei enrijecer.


Com qual musa me deparo

No pesar da minha alma,

Não consigo fazer o disparo.


Um tiro para silenciar meu coração,

Uma nuvem negra a me envolver,

E meus olhos, apenas desejando te rever.


[Escrito em 01/10/06]


por Lucas Arts



~/Ł/~


sexta-feira, 28 de dezembro de 2007


Santa Claus - 
FIN-96930 Arctic Circle - 
Rovaniemi - Finlândia

[Destinatário Imaginário]

Caro Papai Noel,

Eu sei que você não recebera as cartas que lhe são enviadas. Sei também, que você viveu há muito tempo atrás, trazendo consigo felicidade para aqueles que você conhecia e para os que estivessem passando dificuldades financeiras. Ao invés do bom velhinho ter os seus presentes levados por um trenó e suas renas, colocava sacos com moedas de ouro a serem ofertadas nas chaminés das casas em Mira, Turquia.

Mas como deve saber Sr.Nicolau – espero que não se importe em chamar-te pelo seu nome verdadeiro – eu não sou mais uma criança. Não espero que venha surgir debaixo da minha arvore natalina, comprada a mais de nove anos e de plástico, uma sacola com moedas ou presentes que eram para serem feitos pelos seus ajudantes. Muito do que ganhamos nessa data, fora dado por ser uma data que muitos transformaram em comercial.

Como deve saber Sr.Nicolau, não são todos que seguem essa linha de raciocínio. Há presentes que são dados por pessoas que gostam uns dos outros, que de alguma forma quererem mostrar um pouco do que sentem pelo outro. Presentes que muitas vezes são produzidos em outras partes do mundo, alguns de forma legal, enquanto outros exploram a oportunidade da ganância e, por conseguinte, da mão de obra.

Espero ter sido uma boa pessoa esse ano, não para que a minha recompensa venha em presentes comprados, mas em satisfação interior e aos outros, que por ventura eu tenha ajudado. Mesmo que eu não tenha ajudado a todos que deveria, que eu não tenha me comportado como deveria, mas é como dizem: “Aprendemos mais com nossos erros do que com os nossos acertos”.

Mas venho por meio desta, Sr.Nicolau, dizer que o que eu mais quero ganhar você não poderá me dar. Ninguém, além da pessoa que o possui pode compartilhar comigo. Ele não está na loja mais próxima, pronto para ser comprado. Não será um cartão de plástico, papel, ou qualquer outra forma de pagamento que poderei consegui-lo. É difícil e demorado até que todos possam desfrutar dessa benção.

É um presente, que tornaria a minha vida – como deve ter tornado a sua com a Mamãe Noel – com um gosto especial para ser apreciada de todos os ângulos. Ele engrandece quem o recebe. Mas não é algo que será desfrutado apenas em um dia de minha existência: e sim, na existência de todos os dias.

Enquanto ela e eu não compartilhamos o que sentimos um pelo outro – pelo menos da minha parte - seguirei a minha vida apenas existindo, pois enquanto o que eu sinto não poder ser compartilhado, viver será apenas uma palavra sem significado.

Desculpe-me se tomei o seu tempo, mesmo que não leia o que lhe escrevi, mas não esqueça de mandar os meu cumprimentos para a Mamãe Noel.

Um cordial até logo,

por Lucas Arts





~/Ł/~


quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

[Always]

Sempre é isso,
Um empecilho no meu caminho,
Uma flechada que vai ao encontro;
Contra o meu calcanhar de Aquiles

Alguns diriam que
Quando não é oito, é oitenta,
Mas quem determinou essas diferenças,
Se não podemos ser iguais aos outros?

Ele separa
Ele corrompe,
Ele evita,

Sempre a estragar os bons momentos
Pois como diria Gessinger:
“A dúvida é o preço da pureza”

-E é inútil ter certeza.


por Lucas Arts





~/Ł/~


segunda-feira, 17 de dezembro de 2007





[Quem o sentirá?]



O que restará à mim

Ao amanhecer?

Terei de jogar-me novamente no trampolim,

Para descobrir o saber?

Querem jogar areia em meus olhos,

janelas de uma máscara

Um ser que vagueia sem um destino fixo

De que servem meus sonhos agora?

Escondidos em suas casas,

O sol não aquece mais suas almas,

Deixam apenas o dia ilumar seus desertos

Sentimento que cura,

Sentimento que engrandece,

Sentimento que sinto ao ver-te...



[Escrito em 17/11/06]


por Lucas Arts






~/Ł/~

sábado, 15 de dezembro de 2007

[Ali]


O quer era para estar morto,

Agora renasce das cinzas,

O que antes estava adormecido,

Desperta para o novo


Uma temporada para descansar,

Um ano precioso que se esvaiu,

Por entre os dedos do escritor

O que não o matou – o tornou forte


Aquecido pelo que estava esquecido,

As teias vão se desfazendo,

Alma e mente se libertam.


Mas quem diria!

No que acreditei que estivesse em eterno exílio,


- Fosse surgir do melhor jeito, de uma maneira;

De um modo que me faz sentir

o significado de viver...



por Lucas Arts





~/Ł/~


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007






[Tempestade]

Sacudir, espremer
Saltar, cortar..
Por onde andam as palavras
Que eu quero falar??

Fugir, correr
Esconder, se machucar..
Por onde anda a coragem
Que eu quero arriscar??

Quem diria que um dia
o Pai dos Burros
Me deixaria

Um livro em branco
Uma pena em uma mão
E meus pensamentos a cairem pelo chão..


[escrito em 11/12/06]


por
Lucas Arts


~/Ł/~

O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós - Jean-Paul Sartre